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The Shop Around the Corner de Lubitsch, onde se inspirou You've Got Mail: o mais fantástico destas duas versões é que o original é muito mais verosímil e realista, logo, o seu impacto é muito maior! The Shop Around the Corner... Vi-o uma única vez, no final dos anos 90, e de tal forma me perturbou (e irritou) que registei o efeito num brevíssimo texto. Foi assim que o vi na altura, pelo lado da habilidade, da ambição e da simulação, como forma de organização social:

 

Ontem, no filme de Lubitsch, comoveu-me a figura tristemente solitária e patética do velho patrão; o empregado simples e obediente mas que não abandona os amigos; e a empregada que procura sobreviver com autenticidade num mundo hostil.

Já as outras personagens me são antipáticas, mesmo e sobretudo o empregado que no início parece fiel a certos princípios mas que no fundo é ambicioso e simulador. Esta traição ainda me chocou mais do que o pretensioso e caricato gigolô ou mesmo o moço de recados oportunista e sem carácter.

É que estas personagens sorridentes e simpáticas, em quem se confia, são as mais perigosas, porque simulam muito melhor e enganam facilmente. As outras acabam por mostrar o jogo, são demasiado transparentes, mas estas... O seu poder sedutor leva sempre a melhor, como acaba por acontecer. Profissionalmente e pessoalmente, conquistam e ganham.

 

O mais interessante é verificar como a sociedade actual reverencia esta postura (habilidade, ambição, simulação) de modo acrítico, indo ao ponto até de a promover e reforçar como aptidões sociais. Vai uma apostinha que o Jimmy Stewart é visto pela maioria como o herói da fita? (Não digo protagonista, digo o herói, o modelo a seguir.)

Bem, mesmo que consideremos este comportamento social (nos níveis pessoal e profissional) como uma saudável adaptação à selva urbana, um saudável instinto de sobrevivência, a questão que aqui coloquei, de forma marota, é apenas destacar o facto deste comportamento adaptativo ser, não apenas aceite, mas promovido socialmente.

 

Como Lubitsch consegue colocar em linguagem do cinema a ideia, no ritmo, nas cenas, nas personagens, na ausência de qualquer mensagem moralista, é de génio! Aqui é apenas observável a natureza humana em acção.

 

 

 

 

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publicado às 17:06



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